Aprendizagem digital no pós pandemia: desafios e vantagens

Durante a pandemia do Covid-19, a inserção do mundo tecnológico no nosso cotidiano foi uma das maiores urgências que expressamos, antecipando o que seria inevitável: a aceleração da aprendizagem digital. Sem outra alternativa, pegamos a onda do mundo “on-line”, mesmo sem saber surfar. Fomos nos adaptando ao longo do caminho e chegamos ao momento em que nos questionamos: o que é a aprendizagem digital e até onde esse novo cenário irá nos acompanhar?



A aprendizagem digital é a utilização de ferramentas tecnológicas que nos possibilitam alcançar objetivos educacionais, ou seja, é a incorporação da tecnologia nos processos de ensino e aprendizado. Ela surge devido à demanda iminente de dar seguimento aos estudos que foram interrompidos, criando um cenário até então desconhecido, mas esperançoso. A migração repentina do meio e do método de aprendizagem trouxeram à tona uma série de desafios e questões, os quais dividem opiniões entre ser uma solução ou um entrave para o desenvolvimento pedagógico.

A inédita necessidade de isolamento social levou os professores a pensarem em soluções para que os estudos não fossem paralisados. Em vista disso, incluíram o sistema digital como forma de tentar transmitir o que seria feito presencialmente e assim a tecnologia passou a intermediar o esquema de ensino e aprendizagem dos alunos. Aos poucos foram sendo introduzidas ferramentas que agora fazem parte do planejamento dos educadores, descobrimos novas maneiras de nos comunicar, interagir e aprender: através da tela!

Podemos enxergar isso como uma porta que se abre, onde apesar do digital ter emergido de uma adversidade, entra nas nossas vidas como um verdadeiro potencializador.

Na medida em que proporciona a oportunidade de expandir o volume de alunos recebendo as instruções de maneira síncrona e soluciona questões operacionais e de espaço, além disso, de maneira assíncrona a aprendizagem digital promove um ambiente personalizado, que através das ferramentas tecnológicas certas possibilita aos alunos criar espaços de estudos com foco naquilo que mais os interessa e até mesmo organizar suas rotinas com mais flexibilidade.

Em contrapartida, sabemos que o acesso ao digital não é para todos. Existem algumas limitações, principalmente para alunos e professores em vulnerabilidade socioeconômica, que possuem dificuldades de acesso a equipamentos adequados e conexão com internet, também o despreparo dos profissionais e até mesmo dos alunos para a realização das tarefas e utilização dessas novas ferramentas tecnológicas de ensino. Tal fator se dá principalmente pelo déficit de treinamentos adequados aos profissionais de educação antes de serem inseridos nesse novo ambiente, bem como a ambientação prévia dos alunos aos espações virtuais e as novas plataformas de ensino digital.

Além dos desafios socioeconômicos, outro ponto importante é a acessibilidade. As questões que giram em torno da inclusão de alunos com necessidades específicas, os quais já sofriam nos moldes antigos com dificuldades em encontrar um ensino de qualidade e instituições preparadas para atender suas demandas específicas, agora podem se acentuar, uma vez que além das dificuldades de acesso surge também a incompatibilidade entre softwares e o desconhecimento e inexperiência desses usuários no uso dos recursos digitais, já que anteriormente tudo era feito de maneira presencial e agora contamos com a falta de conscientização dos desenvolvedores para implementar recursos de acessibilidade.

Portanto, é evidente que o foco dos estudos já está integrado na cultura do digital. Embora ainda existam questões a serem aprimoradas, esta é uma oportunidade de usufruirmos desses avanços para aprimorarmos a qualidade do ensino e encontrarmos soluções eficientes para o desenvolvimento das nossas competências. Será preciso transformar essa tela que ainda é vista como um espaço estranho, em um lugar de novas oportunidades e experiências que serão extremamente significativas e viabilizarão conhecimentos para as presentes e as próximas gerações, afinal de contas, o futuro já é uma realidade.

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